
Manaus - Amazônia
Preparando a Viagem: A realização de um sonho. Há anos queríamos conhecer e explorar a floresta amazônica. Cartão postal do Brasil, símbolo de luta pela preservação do meio ambiente e referência mundial em biodiversidade, a Amazônia desperta o fascínio de biólogos, ecologistas, ambientalistas, políticos e, claro, de nós, viajantes, impressionados pela sua grandiosidade e força.
Antes de qualquer coisa, vacine-se conta a febre amarela. A região é foco do mosquito transmissor. Contra a malária, só rezando
Não é fácil pesquisar sobre Amazônia. O turista estrangeiro deve ter mais informações do que nós. Uma das causas é o fato de que o brasileiro viaja muito pouco para lá. Os melhores guias estão em inglês, mas você encontra alguns bons exemplares em português. Os sites também são fracos. Até mesmo em Manaus, o ponto de informação turística do governo forneceu dados errados sobre os locais turísticos e não soube esclarecer outras dúvidas. Se você começa a planejar sua viagem, adquira toda revista que publicar reportagens voltadas para este roteiro. É muito mais fácil descobrir o nome da rua onde fica o café mais antigo de Paris do que onde podemos comprar cupuaçu em Manaus.
Comprar um pacote de uma operadora sai mais barato. Para fugir um pouco da correria, tente incluir dias extras. Os hotéis de selva oferecem pacotes de um até cinco dias. Se você dispõe de tempo, pode fazer uma viagem maravilhosa de barco, partindo de diversas cidades e percorrendo quilômetros pelas malhas fluviais. Mas se suas férias são curtas, não há como fugir do avião.
O que você deve saber antes de ir:
1) Não confunda o Amazonas com a Amazônia. O primeiro é um dos Estados do Brasil, cuja capital é Manaus. A segunda é a floresta, que se estende por mais oito países (Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa) e compreende nove Estados brasileiros (Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61% do território nacional)
2) Tudo é longe. Os vôos partindo de São Paulo demoram, em média, 05 horas. O aeroporto é longe do centro. Para se chegar aos hotéis de selva, é preciso navegar umas três horas. Os passeios oferecidos pelos hotéis também precisam de um barco. Relaxe e curta a mata. Não adianta estressar.
3) Não espere ver a bicharada. A famosa onça pintada, só no cartão postal ou no zoológico. Macacos, piranhas, filhotes de jacarés e botos são mais fáceis de aparecer. Como a mata é enorme, obviamente que os animais não vão ficar dando sopa na porta do seu hotel de selva. Um casal de turistas finlandeses ficou decepcionadíssimo, pois eles fizeram a viagem mais para ver tucanos do que qualquer outra coisa. Foram embora sem que nenhum tenha dado o ar da graça. Se quiser ver a nossa riquíssima fauna, vá para o Pantanal.
4) Os hotéis de selva buscam a integração do homem com a natureza. Por isso, todos são de madeira, construídos sob palafitas ou casas flutuantes. É exatamente o estilo rústico que atrai o turista. Não espere nenhum Ritz, por mais cara que seja a diária.
5) Se você se hospedar em hotéis de selva, todas as suas refeições serão feitas lá mesmo. Não existem outros restaurantes por perto. Mas o cardápio é excelente. Tem a comida comum, para quem não se arrisca, complementada pela regional. Você pode até mesmo jantar a própria piranha que pescou à tarde.
O que levar:
Item obrigatório e de vital importância para sua permanência: repelente. Na cidade e nas margens do Rio Negro não tem um pernilongo, por incrível que pareça. Isso porque as águas do Rio Negro possuem um PH muito baixo, diminuindo a quantidade de animais que conseguem lá sobreviver. Mas se você estiver em qualquer outro rio ou andando pela floresta, fica impossível ficar um segundo sem repelente. Se você tiver aquele chapeuzinho ridículo de pescador, que tem uma rede em volta do rosto, não pense duas vezes em levá-lo.
A chuva vem tão repentinamente quanto vai embora. Pode durar alguns minutos, pode durar dias ou semanas. Capa de chuva ou anorak é fundamental para que você possa fazer os passeios normalmente. Nada de ficar trancado no hotel
Calçados adequados para pequenas ou grandes caminhadas na selva. De preferência aqueles específicos para tal atividade. Várias meias grossas e de algodão. Se molhar, troque. Mais uma vez: bolhas, calos e torções acabam com qualquer viagem.
O clima tropical, muito quente e úmido, faz você suar ininterruptamente. Dependendo do passeio, uma ou até mesmo duas camisas por dia serão necessárias. Roupas leves, frescas e ventiladas. Camisas de algodão e calças de tecido que secam rápido. Como está na selva, pode se sujar durante um passeio. Para não levar muita bagagem, opte por aquelas peças laváveis. Debaixo do chuveiro você dá uma geral e a calça estará limpa e seca pela manhã
Sobre o local: A floresta amazônica é a maior floresta tropical úmida do planeta e com maior biodiversidade, concentrando 60% de todas as formas de vida do mundo. Possui cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados, sendo que a maior parte está presente no território brasileiro, notadamente no Estado do Amazonas. A Bacia Hidrográfica Amazônica é a maior do mundo, com quase 4 milhões de quilômetros quadrados de extensão em terras brasileiras, abrangendo 10 dos maiores rios do mundo, sendo seu destaque o Rio Amazonas, com 7.025 km de extensão. Além dos rios e de seus afluentes, é na Amazônia que está os dois maiores aquipélagos fluviais do mundo: Anavilhanas e Mariuá. É também o único lugar do mundo em ainda é possível encontrar populações indígenas vivendo como seus ancestrais. A culinária local é exótica, com sabores deliciosos. Peixes e frutas que somente são encontrados lá dão à gastronomia um toque incomparável.
Localização: Capital do Estado do Amazonas, região norte do país. O Estado do Amazonas faz divisa com o Acre e Rondônia ao sul, Pará ao leste, Roraima, Venezuela e Colômbia ao norte e Peru a oeste.
Por que ir: Para conhecer a mais linda floresta do mundo, a maior bacia hidrográfica do mundo, a maior biodiversidade do mundo; experimentar comidas exóticas, aprender sobre a cultura indígena; ver um Brasil diferente; navegar sobre as águas cor de coca-cola do Rio Negro; sobrevoar o maior arquipélago fluvial do planeta e nadar com botos cor-de-rosa. Quer mais?
Preste atenção: Estamos na maior Bacia Hidrográfica do mundo. Nada mais natural que os carros e ônibus sejam substituídos por barcos e balsas. As populações riberinhas, que moram ao longo dos rios e de seus afluentes, só dispõem deste meio de transporte para se locomovem ou terem contato com o restante do mundo.
Preste atenção também: A comida é um capítulo à parte. Para aqueles que adoram experimentar sabores diferentes, Amazônia é o lugar. Inúmeras espécies de peixes são preparadas com condimentos muito diferentes do que estamos acostumados. As frutas da região estão presentes em todas as refeições do dia, inclusive nos pratos principais. Sucos, sorvetes, doces, sopas, caldos. É a biodiversidade gourmet.
Cidade: Manaus já teve seu auge, na época do Ciclo da Borracha, mas nem por isso deve ser deixada de lado. Servindo de sede para alguns dos passeios na selva, a cidade oferece ao turista várias atrações. Deixe de lado aquela imagem esteriotipada de que Manaus é habitada por índios semi nus, com jacarés andando pelas ruas. A cidade, que possui quase 2 milhões de habitantes, oferece tudo aquilo que grandes centros têm e mais: a floresta.
Hospedagem: Manaus possui uma razoável e cara rede hoteleira. Com exceção do Tropical, e de dois hotéis da Rede Accor, a cidade oferece hotéis antigos, bem localizados e caros. Entretanto o ponto alto da viagem não é a cidade, e sim a floresta. Aí as opções ficam fartas e, graças à concorrência, os preços ficam mais acessíveis. Depois do pioneiro Ariaú, inúmeros outros “jugle lodge” surgiram. Focados em um público 99% estrangeiro, esses hotéis oferecem exatamente aquilo que os gringos buscam: a maior interação possível com a natureza. Quase todos, ou todos, consistem em instalações bem rústicas. Alguns possuem banheiro com água quente. A diferença de preços pode ser gritante, assim como os serviços prestados e os passeios realizados. Pesquise bastante.
Passeios: Carro chefe de Manaus, o Encontro das Águas é um passeio obrigatório. É o encontro do Rio Negro (de águas escuras, devido ao tanino da vegetação que se decompõe, corre a uma velocidade de 2 kh/m e possui um Ph baixíssimo) com o Rio Solimões (águas barrentas, pois corre a 8 km/m, assoreando o fundo e as margens, possuindo um Ph mais elevado), formando o Amazonas. Os dois rios correm lado a lado, sem se misturarem, por quase 10 km. É lindo!
O centro de Manaus merece uma visita. Uma caminhada pelas ruas centrais, entre casarões e prédios antigos revela o luxo e a riqueza do final do século XIX, época do Ciclo da Borracha.
O Mercado Municipal Adolpho Lisboa foi construído de frente para o Rio Negro, em estilo art nouveau e inaugurado em 1882. Sua arquitetura é comparada à do extinto mercado Les Hales, de Paris. Funciona até hoje como um centro de comercialização de produtos regionais. Ótimo passeio para ver os produtos regionais, pois funciona até hoje. Atualmente, está passando por uma restauração e reforma.
O Teatro Amazonas foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896 e já passou por algumas restaurações. É a obra arquitetônica mais significativa do período áureo da borracha e principal patrimônio artístico cultural do Estado. Com suas poltronas de veludo vermelho original e seu grande salão com formato de lira, ostenta uma pompa digna dos barões da borracha. O atual governo, através de sua secretaria de cultura, tem investido em vários espetáculos, com atrações artísticas regionais, nacionais e internacionais. Endereço: Praça São Sebastião, s/nº - Centro; (abre de segunda a sábado, de 9 às 17h)
Bosque da Ciência (INPA Instituto Nacional de Pesquisas do Amazonas). Outro passeio imperdível dentro da cidade. O INPA desenvolve pesquisas e projetos de preservação de animais da região amazônica ameaçados de extinção, entre eles, o do Peixe-Boi. Possui aquários imensos, onde é possível observar esses mamíferos gigantescos e inofensivos. Existem, ainda, viveiros de ariranhas, jacarés (jacaré-tinga e jacaré-açu, este segundo, bastante raro); macacos da cara rosada, tartarugas, jabutis, peixes da região. O passeio é feito pelo bosque, propriamente dito, onde ainda vivem animais soltos como cutias e bichos-preguiça. Nota: o bosque não abre às segundas-feiras e durante a semana fecha de 12:00 às 14:00). Sites: WWW.ampa.org.br; WWW.inpa.org.br
Arquipélago de Anavilhanas: Localizado a 100 km de distância de Manaus, às proximidades do Município de Novo Airão, no Rio Negro, está o Arquipélago de Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos de ilhas fluviais do mundo. Cerca de 400 ilhas cobertas de floresta virgem formam um verdadeiro labirinto natural, um dos mais belos exemplos de paisagem natural amazônica. No período de seca, a descida das águas revela inúmeras praias de areias brancas e interessantes formações naturais de raízes e troncos. Os passeios são feitos por helicópteros ou hidroaviões. Uma das operadoras é a Seaplane Tours (seaplanetours@aol.com)
Outro passeio ótimo para conhecer os costumes da região é dar uma volta pelo Porto Flutuante. É de lá que saem e chegam as embarcações para diversas localidades e até mesmo outros estados ou países. É a “rodoviária” da cidade.
Alfândega e Guardamoria – Inaugurado em 1906 e tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural em 1987. Inaugurados oficialmente em 1906, os dois prédios foram construídos pela firma inglesa Manaos Harbour Limited, como parte do contrato de concessão do Porto de Manaus. Em estilo eclético, com elementos medievalistas e renascentistas, trata-se do primeiro prédio pré-fabricado do mundo. O prédio da Guardamoria, com sua torre e farol edificados com o mesmo material e estilo da Alfândega completa o complexo. O edifício da Alfândega foi construído em blocos de tijolos aparentes, pré-montados e importados da Inglaterra, uma reprodução dos prédios londrinos do início do século. Endereço Rua Marquês de Santa Cruz, s/n, Centro, Fone: (92) 3234-5481
Hotéis de Selva: Apesar da diferença de preço, o Ariaú é o melhor de todos. O hotel oferece a melhor infra estrutura, passeios com guias de primeira, excelente comida e toda uma equipe para auxiliá-lo no que for preciso. Tem até boate e enfermaria. Na compra do pacote, já estão incluídos alguns passeios, tais como, pesca de piranha, passeio de canoa pelos igarapés e igapós, visita às famílias ribeirinhas e focagem de jacaré. Também tem pacotes opcionais: ritual indígena, sobrevôo pela selva, nadar com os botos cor-de-rosa e passeio com carrinho de golf pelas palafitas do hotel (são mais de 8 km); aluguel de bicicleta. Todos valem a pena. Mas o melhor de todos é o do boto. Não há palavras para descrever essa emocionante e maravilhosa experiência. A focagem dos jacarés é muito legal também. Ainda mais se o seu guia resolve, no meio da noite, em pleno Rio Ariaú, pular da canoa e pegar um jacaré na unha, à la Indiana Jones, só para você poder tirar foto. É o máximo. http://www.ariau.tur.br
Dicas: O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes está localizado a quinze quilômetros do centro. Existem ônibus com ar condicionado que fazem o trajeto por R$ 2,50 (valores referentes a fevereiro de 2008). Se optar pelo taxi, combine o preço antes. Pode variar entre R$ 35,00 a R$ 50,00.
Tacacá da Gisela. Eleito pela Veja Manaus como o melhor tacacá. Fica em frente ao Teatro Amazonas. Vale a pena provar. É tipo um caldo, cujos ingredientes são: suco de mandioca, jambu (aquela erva que deixa sua boca dormente), goma de mandioca e camarão frito. Você toma numa cuia, que dá um charme todo especial. Muito bom.
Pratos diversos com Pirarucu. O pirarucu é o maior peixe de água doce do mundo. Quando adulto, chega a pesar 200 quilos!!! Devido ao fato de não conseguirem respirar debaixo d’água, o pirarucu deve a cada 20 minutos, subir à superfície para respirar, o que o torna vulnerável à ação dos predadores, inclusive do homem.
Tambaqui no tucupi. O peixe mais saboroso da região.